Depois que a vida adulta se revelou tão traiçoeira quanto meus pesadelos mais mórbidos, percebi que a vulnerabilidade é uma questão de dignidade. A coragem para ser vulnerável pode se confundir com fragilidade, com a ânsia de livrar-se do passado e, de fato, se for uma forma de se livrar do passado, é uma das coisas mais eficazes que já experimentei. Talvez, pela primeira vez, eu tenha experimentado o que realmente significava uma pessoa ser alheia a si mesma, não que eu manifestasse uma ridicularização de meus sentimentos ou que um descaso deles permitissem que eu me movesse e olhasse para o lado de fora. Meus olhos permitiram que eu visse um novo tratado, uma nova divisão, uma nova convenção de sentidos antes ignorados pela minha falta de fé ou até mesmo pela fé que tinham em mim. Mesmo sustentando um argumento de 99% de ateísmo, não estou impedido de receber orações, afinal, meu ateísmo não transforma quem me ama em ateu. Não falo de fé em um deus — pelo menos, não no...